Não consigo. Quarta vez que tento prosseguir no começo dessa história e não sei como dar uma vida para meu personagem. Acho até meso que seria melhor mata-lo na segunda página e tentar prosseguir com um narrador. Mas, mesmo dessa forma seria necessário uma história para o personagem. Podia existir um guia de história para personagens, aí eu não teria tanto trabalho. Trabalho,preciso mesmo arrumar um que pague as contas. Tem uma pessoa que insiste em jogar aqueles papeizinhos com as logo de um monte de companhia debaixo da minha porta. Ainda bem que sempre lembro de ligar pra lá e pedir uma segunda via, se não hoje por exemplo eu não teria motivos para estar tão preocupado com uma história para o meu personagem.
E por que eu estou preocupado mesmo? Ah, é! Porque não tenho uma estória para ele. Só sei que ele tem cabelos pretos grossos, do tipo que tem que ser cortados bem baixinho, mas que por uma rebeldia infantil, ele insiste em mante-lo longos. Tem um corpo franzinho, não gosta da ideia de frequentar uma academia, nem cogita a hipótese de praticar qualquer esporte por guardar magoa dos tempos de colégio, onde era sempre o último a ser escolhido. Tenho o personagem mas não tenho uma história.
Acabei de perceber que gastei metade de uma folha com esses meus pensamentos. Provavelmente terei que procurar mais folhas novas quando encontrar uma história. Acho que dessa vez não vou pegar mais na casa do meu irmão, da última vez ele reclamou bastante. Terei que pensar em alguém para ser meu novo fornecedor de folhas a custo mínimo. Poso oferecer meus serviços de leitura em troca. Leio de vagar ou apressadamente a gosto do freguês. Será que eu poderia arrumar um emprego como leitor. Porque, sinceramente, no atual momento ler é tudo que sei fazer.
Mas tenho que voltar para o meu dilema: uma história! Como se cria uma história. Acho mais fácil bancar Deus só criando personagens, não aprendia ainda a parte de ser Deus controlando a vida deles, até mesmo porque eu acredito no livre arbítrio, só que criar alguém e deixar que ele siga seu próprio destino, em uma história não funciona. Os personagens precisam de uma história, ou sejam, tenho que criar para eles uma vida.
Não adianta só criar cenário, ou só cercá-lo de amigos. Os personagens são quase como os seres humanos, necessitam que acontecimentos sucedam para dar um certo sentido a sua existência. Porque senão o livro se torna um monte de páginas amareladas, coberto de poeiras, esquecido em uma estante qualquer. Assim como a vida deste aspirante a escritor que não possui história para seu personagem.
Agora o meu estoque de papel acabou. Vou procurar um novo fornecedor e bancar Deus criando uma vida para meu personagem.
Sexta-feira, Fevereiro 05, 2010
Quinta-feira, Janeiro 14, 2010
nesses tempos
Sentou na cama, com a toalha nos cabelos molhados pensando no que seria feito como o resto do verão. Ainda queria estar de férias, naquele lugar cercado por montanhas, com uma brisa leve, e não nesse calor infernal que sugava cada gotícula de água do seu corpo assim que ela desligava a torneira do chuveiro.
O que vestir? O dilema ainda era maior nessa época. A certeza de que qualquer peça estaria grupada ao seu corpo antes que terminasse de descer as escadas lhe trazia uma vontade de não usar absolutamente nada. Descer vestida de pele, sempre lhe parecia uma solução tentadora. Pena que lhe faltava coragem, não conseguia sair nem mesmo usando short.
Pegou uma calça bege e uma regata, segundo a moça da revista, o conjunto traria um visual confortável, calçou o sapato e ainda pensando nas montanhas e na brisa, contou um a um os degrais rumo ao calor insuportável. O sol cegava, o suor mollhava pouco a pouco a regata listrada que ia colando em suas costas. Desejou uma garrafinha de água, e arependeu de não segui o conselho que sua mãe lhe deu quando ela mudou para essa cidade: Nessa época de calor, minha filha, água gelada na garganta vale mais que diamante no dedo.
O que vestir? O dilema ainda era maior nessa época. A certeza de que qualquer peça estaria grupada ao seu corpo antes que terminasse de descer as escadas lhe trazia uma vontade de não usar absolutamente nada. Descer vestida de pele, sempre lhe parecia uma solução tentadora. Pena que lhe faltava coragem, não conseguia sair nem mesmo usando short.
Pegou uma calça bege e uma regata, segundo a moça da revista, o conjunto traria um visual confortável, calçou o sapato e ainda pensando nas montanhas e na brisa, contou um a um os degrais rumo ao calor insuportável. O sol cegava, o suor mollhava pouco a pouco a regata listrada que ia colando em suas costas. Desejou uma garrafinha de água, e arependeu de não segui o conselho que sua mãe lhe deu quando ela mudou para essa cidade: Nessa época de calor, minha filha, água gelada na garganta vale mais que diamante no dedo.
Sexta-feira, Dezembro 18, 2009
Cinzas
Ele juntou os dedos das duas mãos, entrelaçou-as, as unhas meio negras refletiam um primeiro dia de trabalho, o cheiro não era mais o mesmo. Faltava uma partícula, era mais puro agora.
As horas ainda se arrastavam só lhe restava contar minuto após minuto. Sabia que não tardaria a chegar. Era muita coisa para ficar livre em um único dia, em um único mês, quem sabe até em um único ano.
Olhou para o montante de arquivos musicais na tela branca, uma música pode ser bem vinda. Mas qual, nesses tempos, tudo é muito abundante, essa maquininha lhe trazia muito mais do que ele precisava. Chamou o programa tocador, escolheu três canções. Não lembrava de nenhuma delas. Se que sabia se já havia escudado antes...
Chegou! Primeiro estágio, ânsia. Com passos inseguros, foi até a cozinha, abriu a lata verde. Era melhor tomar um café. Destampou-a com cuidado, limpar o chão por um descuido, não seria um passatempo agradável. Nada! O fundo dourado da lata, refletia um rosto marcado pela angustia, os olhos mostravam um sofrimento eminente. E agora? Chá? Sabia que não adiantaria.Mesmo assim, em um ato de compaixão com seu próprio corpo, abriu o armário, para procurar a caixa de chá chinês que ganhou de uma antiga namorada.
Lembrar-se dela agora era estranho. Tudo era tão perfeito, a pele clara a luz do luar, nua refletindo a luz clara para o quarto escuro, as palavras sussurradas ao amanhecer, os dias que passavam rapidamente para que a noite fosse bem longa. Era como um sonho, um desse em que se sabe que não se deve acordar. Mas a lua tornou-se minguante, a pele no lençol quase não encontrava a lua para lhe refletir, as palavras tornaram-se quase gritos, os dias ficaram longos e as noite curtas. Até que um dia, como quem decide que não vai mais de se levantar para enfrentar o leão, ela, parada em frente a janela, ao lado de uma mala vermelha, lhe disse que iria partir. E partiu.
A casa não ficou vazia como contam todos, ficou foi cheia. Cheia do perfume dela, cheia de seus toques sutis, cheia dos livros que ela planejava a ler, até mesmo, vez ou outra, encontrava vestígios dela no lençol e nos pequenos brincos esquecidos no sofá. Nunca achou que aquela mala fosse tão pequena. Sempre quis juntar suas coisas para lhe devolver, mas a coragem que lhe sobrava em alguns momentos inoportunos, fugia de seu encontro toda vez que tocava em algo dela, fraquejava como um mosquito ao perceber que seria esmagado.
A música continuava, realmente não conhecia a melodia, não sabia em que língua era cantada e se quer se lembrava de como ela fora parar em seus arquivos musicais. Talvez tenha sido cópia de um conhecido, pensou enquanto a água tornava-se vapor na xícara e ele mergulhava uma daquelas folinhas da caixa de chá chinês na água.
Sentou-se no sofá, e entrou no segundo estado: manter o jejum. A xícara começara a tremer, seu corpo agora iria protestar por um longo período a ausência. Fechou os olhos como se essa ação dissesse para o seu corpo que ele iria resistir. Todo vez que pensava que já estava se acostumando com a dor, a próxima crise era mais aguda, quase como aquela dor que dá quando se pensa naquele amor mal resolvido, ou aquela dor que se sente quando se escuta uma bela música ao longe.
Tremulo, deixou a xícara na mesa, não se importou com as gotas que atingiram a madeira, machucando a cera que a mochinha passou nela na última sexta, justamente por ela estar manchada. Tirou a camisa, o suor já escorria pela suas costas. Contando quantos passos teria que dar, chegou até o banheiro. Um banho frio talvez lhe acalmaria, rodou a torneira, as gotas d'água faziam um barulho infernal ao tocarem o fundo da banheira.
Tampou os ouvidos e voltou até a sala, ajustou o volume das caixinhas de som para o máximo. Agora estava no terceiro estágio: dor. Com um solo ensurdecedor de bateria, voltou para o banheiro, agora sim, tinha um motivo justo para tapar os ouvidos. Pensou enquanto andava em círculos para afastar a dor que circulava pelo seu corpo, como se fosse o sangue que irrigava cada uma das partes que necessitava para ficar vivo. Pensou em parar de respirar. Talvez não ter ar em seus pulmões lhe devolvesse o bem-estar que sentia nas tardes da sua infância, naquela cidade onde o céu era esverdeado e as pessoas lhe diziam Bom Dia, quando passavam por ele na rua.
A água atingiu a metade da banheira, era hora de testar aquela filosofia que lera em um daqueles romances que ficam expostos nas bancas de promoções dos sebos: "uma nova dor para curar uma dor antiga". Entrou na banheira e deixou que o chuveiro atingisse sua nuca. Não se lembrava do autor, mas todos os dias lhe era grato a ele. Esse pensamento devia ser escrito em cada arranha-céu da cidade, pensou enquanto sentia os dedos de seu pé paralisarem.
Agora era esperar que a água terminasse o processo, ficaria imenso até que não sentisse mais nenhum membro do seu corpo. Nisso gastaria mais ou menos uma hora e meia, um minuto a mais seria perigoso. Lera isso em um outro livro de medicina, que também estava exposto na mesma banca do mesmo sebo onde adquirira o primeiro livro.
O relógio no seu pulso emitiu três apitos curtos, levantou novamente trêmulo, enxugou na primeira coisa que encontrou na sua frente, saiu do banheiro escutando o som de protesto do seu corpo transmitido pelos seus dentes, pegou dois cobertores que sua avó lhe dera em um desses natais perdidos no tempo e se jogou na cama.
Sabia que agora estava seguro, adormeceria deixando tudo num passado recente, quando o sol atingisse a mesma janela que lhe mostrava a lua, seu corpo já restabelecido, lhe despertaria. Aí, ele olharia novamente para suas mãos com velhos calos, sentiria seu novo cheiro, e lhe restaria novamente contar minuto após minuto do novo dia.
As horas ainda se arrastavam só lhe restava contar minuto após minuto. Sabia que não tardaria a chegar. Era muita coisa para ficar livre em um único dia, em um único mês, quem sabe até em um único ano.
Olhou para o montante de arquivos musicais na tela branca, uma música pode ser bem vinda. Mas qual, nesses tempos, tudo é muito abundante, essa maquininha lhe trazia muito mais do que ele precisava. Chamou o programa tocador, escolheu três canções. Não lembrava de nenhuma delas. Se que sabia se já havia escudado antes...
Chegou! Primeiro estágio, ânsia. Com passos inseguros, foi até a cozinha, abriu a lata verde. Era melhor tomar um café. Destampou-a com cuidado, limpar o chão por um descuido, não seria um passatempo agradável. Nada! O fundo dourado da lata, refletia um rosto marcado pela angustia, os olhos mostravam um sofrimento eminente. E agora? Chá? Sabia que não adiantaria.Mesmo assim, em um ato de compaixão com seu próprio corpo, abriu o armário, para procurar a caixa de chá chinês que ganhou de uma antiga namorada.
Lembrar-se dela agora era estranho. Tudo era tão perfeito, a pele clara a luz do luar, nua refletindo a luz clara para o quarto escuro, as palavras sussurradas ao amanhecer, os dias que passavam rapidamente para que a noite fosse bem longa. Era como um sonho, um desse em que se sabe que não se deve acordar. Mas a lua tornou-se minguante, a pele no lençol quase não encontrava a lua para lhe refletir, as palavras tornaram-se quase gritos, os dias ficaram longos e as noite curtas. Até que um dia, como quem decide que não vai mais de se levantar para enfrentar o leão, ela, parada em frente a janela, ao lado de uma mala vermelha, lhe disse que iria partir. E partiu.
A casa não ficou vazia como contam todos, ficou foi cheia. Cheia do perfume dela, cheia de seus toques sutis, cheia dos livros que ela planejava a ler, até mesmo, vez ou outra, encontrava vestígios dela no lençol e nos pequenos brincos esquecidos no sofá. Nunca achou que aquela mala fosse tão pequena. Sempre quis juntar suas coisas para lhe devolver, mas a coragem que lhe sobrava em alguns momentos inoportunos, fugia de seu encontro toda vez que tocava em algo dela, fraquejava como um mosquito ao perceber que seria esmagado.
A música continuava, realmente não conhecia a melodia, não sabia em que língua era cantada e se quer se lembrava de como ela fora parar em seus arquivos musicais. Talvez tenha sido cópia de um conhecido, pensou enquanto a água tornava-se vapor na xícara e ele mergulhava uma daquelas folinhas da caixa de chá chinês na água.
Sentou-se no sofá, e entrou no segundo estado: manter o jejum. A xícara começara a tremer, seu corpo agora iria protestar por um longo período a ausência. Fechou os olhos como se essa ação dissesse para o seu corpo que ele iria resistir. Todo vez que pensava que já estava se acostumando com a dor, a próxima crise era mais aguda, quase como aquela dor que dá quando se pensa naquele amor mal resolvido, ou aquela dor que se sente quando se escuta uma bela música ao longe.
Tremulo, deixou a xícara na mesa, não se importou com as gotas que atingiram a madeira, machucando a cera que a mochinha passou nela na última sexta, justamente por ela estar manchada. Tirou a camisa, o suor já escorria pela suas costas. Contando quantos passos teria que dar, chegou até o banheiro. Um banho frio talvez lhe acalmaria, rodou a torneira, as gotas d'água faziam um barulho infernal ao tocarem o fundo da banheira.
Tampou os ouvidos e voltou até a sala, ajustou o volume das caixinhas de som para o máximo. Agora estava no terceiro estágio: dor. Com um solo ensurdecedor de bateria, voltou para o banheiro, agora sim, tinha um motivo justo para tapar os ouvidos. Pensou enquanto andava em círculos para afastar a dor que circulava pelo seu corpo, como se fosse o sangue que irrigava cada uma das partes que necessitava para ficar vivo. Pensou em parar de respirar. Talvez não ter ar em seus pulmões lhe devolvesse o bem-estar que sentia nas tardes da sua infância, naquela cidade onde o céu era esverdeado e as pessoas lhe diziam Bom Dia, quando passavam por ele na rua.
A água atingiu a metade da banheira, era hora de testar aquela filosofia que lera em um daqueles romances que ficam expostos nas bancas de promoções dos sebos: "uma nova dor para curar uma dor antiga". Entrou na banheira e deixou que o chuveiro atingisse sua nuca. Não se lembrava do autor, mas todos os dias lhe era grato a ele. Esse pensamento devia ser escrito em cada arranha-céu da cidade, pensou enquanto sentia os dedos de seu pé paralisarem.
Agora era esperar que a água terminasse o processo, ficaria imenso até que não sentisse mais nenhum membro do seu corpo. Nisso gastaria mais ou menos uma hora e meia, um minuto a mais seria perigoso. Lera isso em um outro livro de medicina, que também estava exposto na mesma banca do mesmo sebo onde adquirira o primeiro livro.
O relógio no seu pulso emitiu três apitos curtos, levantou novamente trêmulo, enxugou na primeira coisa que encontrou na sua frente, saiu do banheiro escutando o som de protesto do seu corpo transmitido pelos seus dentes, pegou dois cobertores que sua avó lhe dera em um desses natais perdidos no tempo e se jogou na cama.
Sabia que agora estava seguro, adormeceria deixando tudo num passado recente, quando o sol atingisse a mesma janela que lhe mostrava a lua, seu corpo já restabelecido, lhe despertaria. Aí, ele olharia novamente para suas mãos com velhos calos, sentiria seu novo cheiro, e lhe restaria novamente contar minuto após minuto do novo dia.
Quarta-feira, Novembro 25, 2009
hábitos
A primeira coisa que fazia ao chegar ao trabalho era colocar os fones de ouvido. Não que não quisesse companhia, mas não suportava ouvir as calamidades que saiam da boca se seus colegas de sala.
Ás vezes ouvia música, gostava que ligar algo bem baixinho, esperando que o som que entrava pelo seu canal auditivo funcionasse como um bálsamo para suas ideias assustadas por tanta zoeira externa.
Outras não ligava nada, deixa que os fones cumprissem seu papael de comunicar ao mudo que ela não estava disponível.
Ás vezes ouvia música, gostava que ligar algo bem baixinho, esperando que o som que entrava pelo seu canal auditivo funcionasse como um bálsamo para suas ideias assustadas por tanta zoeira externa.
Outras não ligava nada, deixa que os fones cumprissem seu papael de comunicar ao mudo que ela não estava disponível.
Segunda-feira, Outubro 26, 2009
mudando...
Estava namorando um cara bonito agora. Ele era diferente, passava um tempo enorme se arrumando, quase sempre, ganhava dela. Disputavam o minúsculo espelho do banheiro da sua casa. Logo ela que nunca foi muito fã de espelhos, agora se via lá, todos os dias, antes de sair, tentando encontrar um penteado novo, uma nova combinação de batom e sombra, enquanto ele penteava compulsivamente seu cabelo envolto em gel.
Agora, precisa ler revistas de modas, analisar quais modelos encaixam no seu tipo de corpo, entender se renda combina com seda, assistir ao desfile do estilista tal, enquanto ele combina metricamente a camisa com o jeans e a camiseta por baixo do terno.
Perde um belo tempo pensando em esmaltes, sapatos, enfeites, tentando se manter perfeita para que as pessoas digam: "Que belo casal". Mas sente falta do tempo em que saia de jeans e camisa branca e não precisava disputar o espelho.
Agora, precisa ler revistas de modas, analisar quais modelos encaixam no seu tipo de corpo, entender se renda combina com seda, assistir ao desfile do estilista tal, enquanto ele combina metricamente a camisa com o jeans e a camiseta por baixo do terno.
Perde um belo tempo pensando em esmaltes, sapatos, enfeites, tentando se manter perfeita para que as pessoas digam: "Que belo casal". Mas sente falta do tempo em que saia de jeans e camisa branca e não precisava disputar o espelho.
Sexta-feira, Setembro 11, 2009
Desventuras no Divan - Parte II
- Cansei de explicar meus problemas para psicólogos. Todos eles fazem cara de "te compreendo", mas nunca lhe apontam uma solução. Estou pensando até em fazer psicologia pra ver se consigo me auto-ajudar. Falou enquanto chutava o ar com seu par de tênis super caro.
E como pretende fazer isso? Era a pergunta que passava pela cabeça da recém formada doutora, que olhava para o teto rezando para que esse não fosse mais uns dos seus pacientes Gênios, que entendiam tudo sobre psicologia por que leram Enquanto Nietzsche chorou.
- ...Teve até uma mulher que fez isso, sei lá qual era o nome dela, mas ela fez exatamente isso, começou a estudar para se ajudar, e acho que funcionou...
Acha? Meu Deus ele acha! Quero ver o que fará nos primeiro dia de aula, cheio de teorias e achismos. Eu queria voltar para sala e acompanhar sua epopéia acadêmica. Mas o pior é que ele tem razão, teve mesmo uma mulher que fez isso, qual era mesmo o nome dela?
-... E você, parece pior do que os outros. Se quer olha para mim. Alooohhh! Terra chamando! Cambio??
Pronto, agora teria que pensar rápido, outra vez pega distraída, já estava virando rotina, abriu o bloquinho e rabiscou: Concentre-se!
Ah, é, tenho que responder ao engraçadinho:
- Câmbio! Então você já vai economizar uma grana com teste vocacional.
De onde tirou essa? Economizar! Só a jaqueta do garoto, já daria para pagar um ano do aluguel do seu consultório, ele não precisava economizar, ela sim, precisava. E urgentemente!
- ...Vou assistir umas mostras de profissões, tem um monte de faculdades que perde tempo montando isso. Meu pai tá empolgadão, já fez até um guia, tipo um cronograma mesmo, com as datas, sabe? Coisa de velho.
Não, ela não sabia, não assistia a nenhuma mostra e não tinha um velho preocupado com o seu futuro, ela se quer sabia porque tinha escolhido a psicologia.
- ...E aí, ele ainda acha que eu vou acabar optando por uma dessas carreiras de executivo, que tem carros caros e um monte de mulheres...
- Um monte de mulheres - se viu dizendo. Mas para que ter um monte de mulheres?
Estava demorando para se intrometer nos pensamentos dele. E dessa forma, e daí que ele quer um monte de mulheres, quase todo cara quer. E o pior é que existe mesmo um tanto de mulheres para um único homem,e ele, com toda a grana que já tem, acho que vai precisar fazer muito esforço.
- ... Não que eu não queira conhecer alguém, tipo uma mulher perfeita para casar, formar família. Mas por enquanto, eu tô novo, né? E como eu sou lindo, tenho mais é que aproveitar...
Ela levantou os olhos por cima do óculos, e olhou para o rosto à sua frente: cachos alourados, olhos esverdeados, traços marcantes e um nariz clássico. Ele realmente era bonito. Eu não devia ter olhado- pensou enquanto desenhava uma estrelinha no bloco de papel. Agora, vou ficar pensando nele, e vou classificá-lo, como o arrogante bonitinho. Foco! Você precisa se concentrar, daqui a pouco ele percebe de novo, que você não está prestando atenção nele. Concentre-se! Rabiscou no papel.
- ...Aquela festa foi muito doida. Tinha tanta gata, que eu não sabia pra qual partia, era de tudo quanto tipo, você tem noção?
Não, ela não queria ter noção, queria só que o sol que agora cobria o céu, fosse embora de deixasse a lua surgir, indicando que ela passara por mais um dia. Mas ao invés de ter seus desejos realizados, tinha o arrogante bonitinho dissertando sobre sua orgia particular, enquanto ela movia ligeiramente a cabeça de um lado para o outro, demonstrando que estava inteiramente interessada no assunto. Quando será que ela arrumaria pacientes daqueles normais, que só contam como foi seu dia, e se acham completamente perdidos por causa de um amor não correspondido?
- ... Mais aí deu nisso, acabei condenado. Tive que ficar indo lá naquele troço três vezes por semana, e eu nem sei porque...OI!! Você ainda está ouvindo.
Ela procurou de novo o relógio, queria uma nova saída agora, não estava inspirada para uma resposta. O garoto procurou seus olhos, ele fixou nos seus olhos castanhos e ela sentiu que seu rosto iria corar.
"Chão! Chão...Chão..chão" - O celular dele tocou. E foi atendido prontamente:
- Tô aqui ainda, pai... Não, acho que ainda não acabou... O quê?... Não!
Desligou o aparelho e deu a notícia:
- Meu pai, arrumou um estágio para mim. Nem quero saber quando ou como é. Não vou e pronto. Por que ele fez isso?
Ela pensou em esfregar umas verdades na face dele, fazê-lo acordar que ele não poderia ser sempre um aborrecente cheio de vontade, mas como não era de seu feitio fazer observações profundas, disse:
- Nosso tempo acabou.
E como pretende fazer isso? Era a pergunta que passava pela cabeça da recém formada doutora, que olhava para o teto rezando para que esse não fosse mais uns dos seus pacientes Gênios, que entendiam tudo sobre psicologia por que leram Enquanto Nietzsche chorou.
- ...Teve até uma mulher que fez isso, sei lá qual era o nome dela, mas ela fez exatamente isso, começou a estudar para se ajudar, e acho que funcionou...
Acha? Meu Deus ele acha! Quero ver o que fará nos primeiro dia de aula, cheio de teorias e achismos. Eu queria voltar para sala e acompanhar sua epopéia acadêmica. Mas o pior é que ele tem razão, teve mesmo uma mulher que fez isso, qual era mesmo o nome dela?
-... E você, parece pior do que os outros. Se quer olha para mim. Alooohhh! Terra chamando! Cambio??
Pronto, agora teria que pensar rápido, outra vez pega distraída, já estava virando rotina, abriu o bloquinho e rabiscou: Concentre-se!
Ah, é, tenho que responder ao engraçadinho:
- Câmbio! Então você já vai economizar uma grana com teste vocacional.
De onde tirou essa? Economizar! Só a jaqueta do garoto, já daria para pagar um ano do aluguel do seu consultório, ele não precisava economizar, ela sim, precisava. E urgentemente!
- ...Vou assistir umas mostras de profissões, tem um monte de faculdades que perde tempo montando isso. Meu pai tá empolgadão, já fez até um guia, tipo um cronograma mesmo, com as datas, sabe? Coisa de velho.
Não, ela não sabia, não assistia a nenhuma mostra e não tinha um velho preocupado com o seu futuro, ela se quer sabia porque tinha escolhido a psicologia.
- ...E aí, ele ainda acha que eu vou acabar optando por uma dessas carreiras de executivo, que tem carros caros e um monte de mulheres...
- Um monte de mulheres - se viu dizendo. Mas para que ter um monte de mulheres?
Estava demorando para se intrometer nos pensamentos dele. E dessa forma, e daí que ele quer um monte de mulheres, quase todo cara quer. E o pior é que existe mesmo um tanto de mulheres para um único homem,e ele, com toda a grana que já tem, acho que vai precisar fazer muito esforço.
- ... Não que eu não queira conhecer alguém, tipo uma mulher perfeita para casar, formar família. Mas por enquanto, eu tô novo, né? E como eu sou lindo, tenho mais é que aproveitar...
Ela levantou os olhos por cima do óculos, e olhou para o rosto à sua frente: cachos alourados, olhos esverdeados, traços marcantes e um nariz clássico. Ele realmente era bonito. Eu não devia ter olhado- pensou enquanto desenhava uma estrelinha no bloco de papel. Agora, vou ficar pensando nele, e vou classificá-lo, como o arrogante bonitinho. Foco! Você precisa se concentrar, daqui a pouco ele percebe de novo, que você não está prestando atenção nele. Concentre-se! Rabiscou no papel.
- ...Aquela festa foi muito doida. Tinha tanta gata, que eu não sabia pra qual partia, era de tudo quanto tipo, você tem noção?
Não, ela não queria ter noção, queria só que o sol que agora cobria o céu, fosse embora de deixasse a lua surgir, indicando que ela passara por mais um dia. Mas ao invés de ter seus desejos realizados, tinha o arrogante bonitinho dissertando sobre sua orgia particular, enquanto ela movia ligeiramente a cabeça de um lado para o outro, demonstrando que estava inteiramente interessada no assunto. Quando será que ela arrumaria pacientes daqueles normais, que só contam como foi seu dia, e se acham completamente perdidos por causa de um amor não correspondido?
- ... Mais aí deu nisso, acabei condenado. Tive que ficar indo lá naquele troço três vezes por semana, e eu nem sei porque...OI!! Você ainda está ouvindo.
Ela procurou de novo o relógio, queria uma nova saída agora, não estava inspirada para uma resposta. O garoto procurou seus olhos, ele fixou nos seus olhos castanhos e ela sentiu que seu rosto iria corar.
"Chão! Chão...Chão..chão" - O celular dele tocou. E foi atendido prontamente:
- Tô aqui ainda, pai... Não, acho que ainda não acabou... O quê?... Não!
Desligou o aparelho e deu a notícia:
- Meu pai, arrumou um estágio para mim. Nem quero saber quando ou como é. Não vou e pronto. Por que ele fez isso?
Ela pensou em esfregar umas verdades na face dele, fazê-lo acordar que ele não poderia ser sempre um aborrecente cheio de vontade, mas como não era de seu feitio fazer observações profundas, disse:
- Nosso tempo acabou.
Quarta-feira, Setembro 02, 2009
de frente pro crime - investigador azarado - parte I
Terceira vez essa semana, pensou entediado enquanto se desviava dos grupos de repórteres na porta. Aproximou-se do capitão para se interar do caso. Arrependeu-se no momento em que descobriu que era o Prestes, deu meia volta, calçou as luvas e se preparou para enfrentar outra cena.
A sala estava turva, um fraco feixe de luz cortava o ambiente, desordem não seria o suficiente para descrever o estado dos móveis, dos cacos espalhados no chão, do rasgão no cortinado, do jantar desperdiçado. Fechou os olhos para memorizar a primeira foto, lembrando-se de que não era necessário gravar o tipo de comida que não fora aproveitado.
Avançou, a destruição também caminhou sala à dentro, agora, com a luz de um abajur caído, a cena ganhava mais vida. Briga, não restava mais nenhuma dúvida: o filete fino de sangue denunciava uma luta destrutiva, mas silenciosa. Não iria descascar a parede para produzir uma nova prova, não hoje. Continuou andando, com sua máquina fotográfica mental ligada.
Passos pesados interromperam sua sessão de fotos, o capitão entrava na sala, berrando ordens para toda sua equipe. Eles tinham meia hora para encontrar o que existisse para ser encontrado. Sua paz findara, a partir daquele ponto, o apartamento seria destroçado e tudo e qualquer parte que pudesse ser utilizada seria destruída. Afastou-se do bando e entrou na outra sala.
Que raios de lugar é esse? Pensou enquanto a poeira invadia seus olhos e o cheiro de mofo castigava seu olfato. Procurou a máscara nos bolsos do jaleco parado próximo a porta querendo deixar aquele local o mais rápido possível. Quando a encontrou, seu corpo já tinha se acostumado com o ambiente e ele preferiu voltar com a máscara para o bolso. Tentou assimilar as dimensões do quarto, parecia uma caixa quadrada, dando a ilusão de que quem desse um passo para dentro, não conseguira mais voltar. Possuía várias colunas espalhadas, provavelmente, sustento para algo no piso superior- Pensou enquanto reunia coragem para avançar em sua exploração.
Com três passadas atingiu o centro. Era bem menor do que ele previra. Ali, já não escutava a baderna dos homens do Prestes, mas começava a escutar o batimento acelerado de seu próprio coração. Preferiria escutar o barulho dos guardas. Deu mais dois passos e, por sorte ou azar, atingiu uma das colunas. Xingou baixinho e deu a volta, pronto. Lá estava o motivo de estarem ali.
E agora? - Ele sempre relutava. Volto para a sala ou examino? O cheiro voltou a lhe atacar, agora era mais denso, o quarto ficou mais escuro, embora ele percebesse que alguém se aproximava, ajeitou a máscara no rosto. Os passos tornaram-se mais audíveis, e num segundo, ele ouviu a porta ser batida com toda força. Fato: estava preso. O corpo ficou pesado, mas antes de cair ele ainda sentiu uma mão no seu pescoço.
A sala estava turva, um fraco feixe de luz cortava o ambiente, desordem não seria o suficiente para descrever o estado dos móveis, dos cacos espalhados no chão, do rasgão no cortinado, do jantar desperdiçado. Fechou os olhos para memorizar a primeira foto, lembrando-se de que não era necessário gravar o tipo de comida que não fora aproveitado.
Avançou, a destruição também caminhou sala à dentro, agora, com a luz de um abajur caído, a cena ganhava mais vida. Briga, não restava mais nenhuma dúvida: o filete fino de sangue denunciava uma luta destrutiva, mas silenciosa. Não iria descascar a parede para produzir uma nova prova, não hoje. Continuou andando, com sua máquina fotográfica mental ligada.
Passos pesados interromperam sua sessão de fotos, o capitão entrava na sala, berrando ordens para toda sua equipe. Eles tinham meia hora para encontrar o que existisse para ser encontrado. Sua paz findara, a partir daquele ponto, o apartamento seria destroçado e tudo e qualquer parte que pudesse ser utilizada seria destruída. Afastou-se do bando e entrou na outra sala.
Que raios de lugar é esse? Pensou enquanto a poeira invadia seus olhos e o cheiro de mofo castigava seu olfato. Procurou a máscara nos bolsos do jaleco parado próximo a porta querendo deixar aquele local o mais rápido possível. Quando a encontrou, seu corpo já tinha se acostumado com o ambiente e ele preferiu voltar com a máscara para o bolso. Tentou assimilar as dimensões do quarto, parecia uma caixa quadrada, dando a ilusão de que quem desse um passo para dentro, não conseguira mais voltar. Possuía várias colunas espalhadas, provavelmente, sustento para algo no piso superior- Pensou enquanto reunia coragem para avançar em sua exploração.
Com três passadas atingiu o centro. Era bem menor do que ele previra. Ali, já não escutava a baderna dos homens do Prestes, mas começava a escutar o batimento acelerado de seu próprio coração. Preferiria escutar o barulho dos guardas. Deu mais dois passos e, por sorte ou azar, atingiu uma das colunas. Xingou baixinho e deu a volta, pronto. Lá estava o motivo de estarem ali.
E agora? - Ele sempre relutava. Volto para a sala ou examino? O cheiro voltou a lhe atacar, agora era mais denso, o quarto ficou mais escuro, embora ele percebesse que alguém se aproximava, ajeitou a máscara no rosto. Os passos tornaram-se mais audíveis, e num segundo, ele ouviu a porta ser batida com toda força. Fato: estava preso. O corpo ficou pesado, mas antes de cair ele ainda sentiu uma mão no seu pescoço.
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